quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Carta aberta da ABGLT às candidaturas de Dilma Roussef e José Serra

Prezada Dilma e Prezado Serra,

A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais – ABGLT, é uma entidade que congrega 237 organizações da sociedade civil em todos Estados do Brasil. Tem como missão a promoção da cidadania e defesa dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, contribuindo para a construção de uma democracia sem quaisquer formas de discriminação, afirmando a livre orientação sexual e identidades de gênero.

Assim sendo, nos dirigimos a ambas as candidaturas à Presidência da República para pedir respeito: respeito à democracia, respeito à cidadania de todos e de todas, respeito à diversidade sexual, respeito à pluralidade cultural e religiosa.

Respeito aos direitos humanos e, principalmente, respeito à laicidade do Estado, à separação entre religião e esfera pública, e à garantia da divisão dos Poderes, de tal modo que o Executivo não interfira no Legislativo ou Judiciário, e vice-versa, conforme estabelece o artigo 2º da Constituição Federal: “São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.”

Nos últimos dias, temos assistido, perplexos, à instrumentalização de sentimentos religiosos e concepções moralistas na disputa eleitoral.

Não é aceitável que o preconceito, o machismo e a homofobia sejam estimulados por discursos de alguns grupos fundamentalistas e ganhem espaço privilegiado em plena campanha presidencial.

O Estado brasileiro é laico. O avanço da democracia brasileira é que tem nos permitido pautar, nos últimos anos, os direitos civis dos homossexuais e combater a homofobia. Também tem nos permitido realizar a promoção da autonomia das mulheres e combater o machismo, entre os demais avanços alcançados. O progresso não pode parar.

Por isso, causa extrema preocupação constatar a tentativa de utilização da fé de milhões de brasileiros e brasileiras para influir no resultado das eleições presidenciais que vivenciamos. Nos últimos dias, ficou clara a inescrupulosa disposição de determinados grupos conservadores da sociedade a disseminar o ódio na política em nome de supostos valores religiosos. Não podemos aceitar esta tentativa de utilização do medo como orientador de nossos processos políticos. Não podemos aceitar que nosso processo eleitoral seja confundido com uma escolha de posicionamentos religiosos de candidatos e eleitores. Não podemos aceitar que estimulem o ódio entre nosso povo.

O que o movimento LGBT e o movimento de mulheres defendem é apenas e tão somente o respeito à democracia, aos direitos civis, à autonomia individual. Queremos ter o direito à igualdade proclamada pela Constituição Federal, queremos ter nossos direitos civis, queremos o reconhecimento dos nossos direitos humanos. Nossa pauta passa, portanto, entre outras questões, pelo imediato reconhecimento da união estável entre pessoas do mesmo sexo e pela criminalização da discriminação e da violência homofóbica.

Cara Dilma e Caro Serra

Por favor, voltem a conduzir o debate para o campo das ideias e do confronto programático, sem ataques pessoais, sem alimentar intrigas e boatos.

Nós da ABGLT sabemos que o núcleo das diferenças entre vocês (e entre PT e PSDB) não está na defesa dos direitos da população LGBT ou na visão de que o aborto é um problema de saúde pública.

Candidato Serra: o senhor, como ministro da saúde, implantou uma política progressista de combate à epidemia do HIV/Aids e normatizou o aborto legal no SUS. Aquele governo federal que o senhor integrou também elaborou os Programas Nacionais de Direitos Humanos I e II, que já contemplavam questões dos direitos humanos das pessoas LGBT. Como prefeito e governador, o senhor criou as Coordenadorias da Diversidade Sexual, esteve na Parada LGBT de São Paulo e apoiou diversas iniciativas em favor da população LGBT.

Candidata Dilma: a senhora ajudou a coordenar o governo que mais fez pela população LGBT, que criou o programa Brasil sem Homofobia, e o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT, com diversas ações. A senhora assinou, junto com o presidente Lula, o decreto de Convocação da I Conferência LGBT do mundo. A senhora já disse, inúmeras vezes, que o aborto é uma questão de saúde pública e não uma questão de polícia.

Portanto, candidatos, não maculem suas biografias e trajetórias. Não neguem seu passado de luta contra o obscurantismo.

A ABGLT acredita na democracia, e num país onde caibam todos seus 190 milhões de habitantes e não apenas a parcela que quer impor suas ideias baseadas numa única visão de mundo. Vivemos num país da diversidade e da pluralidade.

É hora de retomar o debate de propostas para políticas de governo e de Estado, que possam contribuir para o avanço da nação brasileira, incluindo a segurança pública, a educação, a saúde, a cultura, o emprego, a distribuição de renda, a economia, o acesso a políticas públicas para todos e todas!

Eleições 2010, segundo turno, em 15 de outubro de 2010.

ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Guerra Santa

O 2° turno se transformou em uma guerra santa. Agora todo mundo é cristão. Dilma assina acordo com os evangélicos. Serra diz que vai defender os valores cristãos. Mas onde está o Estado laico da Consttituição de 1988?
Os dois candidatos estão rasgando, cuspindo e pisando em cima de nossa Constituição.
Marina Silva, a única efetivamente evangélica, acusada de fundamentalista por muitos, admitiu a possibilidade de uma discussão sobre o aborto, foi a favor da união civil entre homossexuais, a favor que eles possam adotar criança e a favor da criminalização da homofobia. Na realidade, era a única pessoa sensata. Tão sensata, que alguns fundamentalistas de verdade, como o Pr. Silas Malafaia, divulgou vídeo na internet criticando-a.
Os dois candidatos agora parecem estar pisando em ovos, com medo de desagradar aos religiosos, mas esquecem o Brasil é muito mais plural do que eles imaginam. Os dois vão de acordo com os votos. Fazem qualquer coisa pra ganhá-los.
Mas a Senhora Dilma está realmente se superando. Ontem, assinou carta dos evangélicos se comprometendo a não legalizar o aborto e disse ser contrária à lei que criminaliza a homofobia, porque esta tiraria a liberdade das religiões.
Eu me pergunto: que liberdade?
A liberdade de convencer seus fiés que homossexuais são doentes? A liberdade de fazer pais discrimarem seus filhos? A liberdade de espalhar cartazes pela cidade incitando a violência (como o já citado pastor tem feito no Rio de Janeiro)?
As pessoas parecem nunca ter tido contato com a História, mas, há tempos atrás, o cristianismo discriminava os negros, o que na época era muito normal em toda a sociedade europeia. E se eles fizessem isso hoje? Se um padre ou um pastor dissesse que ser negro não é coisa de Deus. Ele seria preso. Por que? Porque a sociedade já entrou em um consenso de que o preconceito de "raça" é um absurdo, embora ainda haja focos dele. Porém, quem ainda tem esse preconceito não sai por aí gritando contra os negros, nem estampando mensagem de ódio em outdoors.
Contra os gays isso acntece, porque a sociedade ainda respeita as pessoas que condenam o homossexualismo. Esse respeito deve acabar. Assim como racismo é crime, homofobia também tem que ser.
Mas, voltando à batalha eleitoral, Dilma muda de opinião como faz plástica. Pra ganhar os votos religiosos, ou melhor, cristãos, critica todo o resto. Talvez ela não tenha ideia do peso dos votos dos homossexuais, das outras religiões (que estão sendo desrespeitadas), dos que defendem a liberdade da mulher, dos que defendem a democracia.
Serra parece também não querer asssumir posições muito extremas para não perder votos. Mas eu quero ver agora o que ele falará, se é que falará, sobre a criminalização da homofobia.
Infelizmente, a economia, o câmbio desvalorizado, a educação, a segurança e tantos outros problemas parecem não ter muita importância em um país que está se mostrando mais fundamentalista do que parecia.
Eu li uma vez, acho que foi num texto de João Ubaldo Ribeiro, que cada povo tem os políticos que merece. No caso do Brasil, isso é perfeito.
Nós somos palhaços. Por isso elegemos o Tiririca.
Nós somos corruptos. Por isso elegemos tantos que claramente já roubaram.
Nós somos (falsos) moralistas. Por isso elegemos religiosos.
Nós somos retrógrados. Por isso não elegemos Marina.
Nós somos burros. E aqui está a contradição. Elegemos os mais espertos.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Apoiar ou não apoiar? A questão pode ser outra!

Refletindo um pouco mais sobre o que Marina Silva deve fazer no 2° turno, cheguei a conclusões um pouco diferentes do que mostrei há alguns dias atrás.

Marina poderá sim ficar neutra na disputa para tentar manter o foco na sua figura, já focando na eleição de 2014. Neste caso, o PV poderia inclusive apoiar Serra, mesmo ela ficando neutra, o que agradaria o partido e a preservaria. É uma opção e algo me diz que é isso que acontecerá.

Mas por que eu falei só no Serra? Primeiro porque o PV já tem alianças com o PSDB em vários estados, inclusive nos três mais importantes: São Paulo, Minas e Rio. Segundo porque não há clima nenhum para um eventual apoio a Dilma, nem por parte de partido, que tem sido oposição, e muito menos por parte de Marina, que nunca foi respeitada por Dilma enquanto as duas eram ministras.
Na coluna de hoje, Miriam Leitão destaca bem: "Dilma mandou alagar a Mata Atlântica, aumentou a energia fóssil na matriz, ignorou a colega no PAC, iniciou obras controversas e afastou Marina do Plano Amazônia Sustentável". Dilma sempre foi desenvolvimentista, e qualquer coisa que ela venha a dizer ao contrário, com intenção de ganhar o apoio de Marina, soará falso. Tão falso quanto suas suas declarações sobre o aborto, que têm sido uma clara tentativa de agradar o eleitorado conservador. Enfim... não há clima entre elas.

Mas parte da sociedade poderia entender a neutralidade como uma forma de mostrar que Marina estaria preocupada apenas consigo mesma, e que apoiar alguém seria obrigação para ajudar o país. Se essa ideia prevalecer no PV, a única saída será apoiar Serra, contanto que deixe bem claro que é um apoio em troca de programas. Serra deverá se compromoter com o desenvolvimento sustentável do país. Isso não impedirá um futuro ministério para o PV, inclusive para Marina, mas caso esse ministério não venha, o PV não poderá cobrar, porque cairia em contradição.

Mas e se Marina realmente apoiar Serra, ele ganhar, cumprir suas promessas, fizer um bom governo e Marina for sua ministra, isso inviabilizaria sua candidatura em 2014?
Acho que só o tempo dirá...

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Educação pra quê? A gente somos inútil...

O mapa de votação mostra que na Dilma ganhou em quase todos os Estados do nordeste e perdeu em quase todos do sudeste e do sul do país. Aqui na cidade do Rio de Janeiro, Serra e Marina ganharam em praticamente toda a Zona Sul, Barra da Tijuca e Recreio. Enquanto isso, Dilma ganhou em praticamente toda a Zona Norte e Zona Oeste, áreas mais carentes da cidade.

Há duas maneiras de interpretar o fato:
1- O PT governa para os pobres;
2- A baixa escolaridade não permite que os pobres vejam o que o PT realmente faz.

Eu fico com a segunda, porque definitivamente o PT não governa para os pobres. Se governasse, já teria feito a reforma tributária para desonerar quem tem renda menor e teria investido mais na educação, porque só através da educação é possível diminuir a pobreza a longo prazo e de forma sustentável.

Pra falar a verdade, a educação no Brasil nunca teve um papel de destaque na agenda política de nenhum candidato. Mas creio que o início dessa década foi o momento mais oportuno para ter ocorrido um revolução na educação, porque passamos por uma ditadura e só na década de 90 houve a redemocratização de fato e a estabilidade econômica. Agora não há mais desculpas.

Não sou contra o programas assistencialistas, como o Bolsa Família (ao contrário do Lula em 2000, quando dizia que era uma forma de compra de votos, como mostra o vídeo do link no fim do post). São eles que matam a fome. Mas só a educação, paralela a eles, poderá definitivamente tirar pessoas da miséria (financeira e intelectual). Mas ações de longo prazo não costumam ser admiradas por políticos porque duram muito mais que dois mandatos.

Retomando o pensamento inicial, responda-me: por que um governo que recebe mais votos das pessoas com baixa escolaridade vai investir em educação? Não faz sentido. É como ensinar a população a votar no adversário. Não dá pra esperar melhoria na educação de quem faz questão que as pessoas não saibam de nada.

E para melhorar a educação, não basta aumentar a quantidade de dinheiro investido, mas tem que investir de fora correta: professor bem remunerado, bem treinado, escolas informatizadas, atividades fora da sala de aula, etc. é obrigação do governo feeral dar suporte aos estados e municípios.

Tomara que essa revolução não espere mais um século para acontecer.



segunda-feira, 4 de outubro de 2010

"Veja" é uma piada, feito o Tiririca

Esse é um comentário que fiz no blog do colunista Reinaldo Azevedo, da revista "Veja":

"Senhor Reinaldo,

não suporto o lulismo, embora reconheça alguns pontos positivos. Cada dia que passa, Lula me faz torcer mais contra ele. FHC foi importantíssimo para esse país, embora eu também reconheça pontos negativos em seu governo. Votei em Marina porque creio que ela tem vontade de melhorar a questão mais problemática desse país (que nem Serra nem Dilma falaram muito): a educação. Nesse 2° turno, votarei em Serra, apesar de suas propostas mais populistas que as de Dilma. Mas o propósito de meu comentário é fazer uma pergunta ao senhor. No post "A santinha da floresta oca", o senhor questionou a moral de Marina, porque acredita que ela finge ter uma moral que não tem. Um post escrito na reta final da campanha, justamente quando ela crescia nas pesquisas. Porém os fatos citados no post como a quebra do sigilo e as tais declarações de Marina ocorreram bem antes. Por que não questionou a moral dela antes? E o que mais me assusta é que agora no segundo turno o senhor está preocupado como o Serra deve conquistar Marina. Pra isso ela presta, né? Aí o senhor esquece os defeitos dela e revela os seus.

Vocês da Veja fazem com o PSDB e com o DEM exatamente o que o Lula faz com o PT: fingem que não sabem de nada. Assista ao documentário: "Arquitetos do poder", sobre a relação entre a mídia e as eleições no Brasil. O senhor deve se lembrar da capa sobre o "Caçador de marajás". Deve lembrar também de 2002, quando a Veja fez quatro capas seguidas com os presidenciáveis e acabou com Lula, Garotinho e Ciro (não que eles não merecessem) e depois mostrou um anjinho: Serra. Sou 100% a favor da liberdade de imprensa. Você pode dizer o que quiser. Só não tente me fazer crer que essa revista é séria. Ela é uma piada, feito o Tiririca."


PS: Como a "Veja" é a favor da liberdade de imprensa e da liberdade de expressão, deciciu "democraticamente" não publicar meu comentário.

domingo, 3 de outubro de 2010

Marina: apoiar ou não apoiar? Eis a questão!!!

Acaba de ser confirmado que haverá segundo turno entre Serra e Dilma. Mas Marina foi a grande sensação da eleição. Com apenas um minuto e vinte e oito segundos de propaganda eleitoral, Marina conseguiu quase 20% dos votos válidos, algo realmente surpreendente para quem teve que lutar contra a máquina do governo e contra coligações gordas. Agora o grande desafio do 2° turno será conquistar o eleitor de Marina.

Há três tipos de eleitor que votou em Marina:
1° - Ex-petistas que não aguentam mais o projeto de poder de um partido que se corrompeu e o autoritarismo de seu maior líder;
2° - Simpatizantes do PSDB que ficaram desiludidos com a campanha e com as atitudes eleitoreiras de Serra;
3° - Uma nova geração que quer algo realmente novo.

O primeiro grupo vai acabar cedendo aos apelos de Dilma. O segundo aos de Serra. Mas e o terceiro? É aí que será definida a eleição. Boa parte desse grupo poderá votar nulo, o que acabaria ajudando Dilma, que está na frente. Por isso, creio que ela ganhará. Mas tudo é possível.

Mas e Marina? Ela apoiará oficialmente um das campanhas. Não sei. Mas queria muito poder olhar nos olhos dela e dizer: "Não apoie ninguém. Vai pra casa e descansa,porque daqui a quatro anos tem mais". Marina conquistou algo que Serra e Dilma não são capazes. Conquistou eleitores que se identificaram com sua figura carismática (coisa que Serra e Dilma não são), com seu projeto de governo (que os outros não têm) e com a renovação que ela representa na política brasileira. E grande parte desse eleitorado deverá ser fiel. Se Marina apoiar um ou outro, a mudança que Marina representa poderá ir por água abaixo e esse eleitorado poderá se sentir decepcionado. Portanto, Marina deverá cultivar esse eleitor e outros mais através de sua isenção no segundo turno e através de atitude a favor do país durante os próximos quatro anos.

Em 2014 tem mais. Marina poderá amadurecer e voltar com mais força.

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O que esperar de um Congresso com Garotinho, Tiririca, Romário, Leonardo Picciani, Filipe Pereira, Crivella, Valdemar Costa Neto, etc, etc, etc?????
Uma mistura de mensaleiros, homofóbicos e palhaços.
Aliás, palhaços somos nós, que votamos neles. É por isso que não se investe em educação. Se tivéssemos um mínimo de vergonha na cara, votaríamos melhor.


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O Pr. Silas Malafaia elegeu seu candidato a deputado federal e estadual no Rio de Janeiro. Este indivíduo representa o que de pior há na política brasileira. O que ele prega não é cristianismo, é loucura. E nós votamos. É por isso que não se investe em educação. Se tivéssemos um mínimo de vergonha na cara, votaríamos melhor.


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Gostaria de parabenizar aos poucos candidatos do PSOL e do PV que vierem a se eleger, especialmente Chico Alencar, pela votação expressiva. E Jean Wyllys, que será o primeiro gay assumido, com plataforma glbt, a ser eleito no Brasil. Ainda há votos conquistados através de ideologia, e não apenas de dinheiro. Marina foi a prova maior. Prometo que vou tentar continuar acreditando nesse país.